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  Clipping Recap Notícias, Sexta feira, 17 de fevereiro de 2012
 

Folha de São Paulo
Dilema na Petrobras

 
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  Graça Foster, ao assumir direção da empresa, promete fidelidade incondicional a Dilma Rousseff; preços de derivados são primeiro teste. Na cerimônia de sua posse, a nova presidente da Petrobras prometeu "fidelidade incondicional" à presidente Dilma Rousseff.

A expressão é cabível numa conversa privada entre amigas de longa data; empregada em público, suscita preocupação quanto ao rigor que Graça Foster imprimirá à necessária distinção entre Dilma, seu partido (PT) e seu governo, de um lado, e de outro a União, acionista majoritária da Petrobras.

A executiva fez mais uma promessa, dirigida a outro público: a de buscar para a companhia um lucro maior que o de 2011. Foi um aceno aos numerosos acionistas minoritários, prejudicados pela evolução decepcionante que o preço das ações da Petrobras tem apresentado desde meados de 2010.

Dentre os fatores que explicam esse desempenho, claramente inferior à média dos demais papéis que compõem o índice da Bolsa de Valores de São Paulo, está a diminuição do lucro da empresa, de R$ 35 bilhões para R$ 33 bilhões, entre 2010 e 2011. E tal redução está associada, em grande parte, à política de preços da estatal. Vários produtos têm gerado prejuízo para a Petrobras, sobretudo porque o custo de importá-los supera o preço de venda no mercado brasileiro. É o caso da gasolina e, de forma mais marcante, do diesel. Analistas estimam que em 2011 a companhia tenha sofrido prejuízo de quase R$ 2 bilhões nas operações de importação e venda de diesel e de mais cerca de R$ 500 milhões com a gasolina.

Aumentar os preços cobrados por esses produtos nas refinarias melhoraria a rentabilidade da empresa e poderia reforçar sua capacidade de investir. Diante de outras limitações, como os prazos longos pedidos por fornecedores, já há algum tempo a Petrobras vem descumprindo suas metas de aumento da produção. Por outro lado, reajustes de combustíveis poderiam aumentar a inflação.

No que toca à gasolina, se a Petrobras determinar altas de preço nas refinarias, o governo pode mitigar o impacto sobre a inflação por meio de redução do valor de um tributo (a Cide) cobrado sobre cada litro vendido ao consumidor.

Esse expediente, no caso do diesel, teria efeito pequeno, porém, pois a parcela da Cide embutida no preço final é bem menor. Logo, seria mais substancial o impacto sobre a inflação de um realinhamento do preço do diesel.
Fica evidente que a política de preços da Petrobras envolve um conflito de interesses, entre os objetivos políticos do Planalto e a saúde da maior empresa do Brasil. Uma solução equilibrada parece incompatível com a atitude de alinhamento automático de Graça Foster com o governo de turno.
   
 

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Sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

 
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